Reproduzo abaixo um texto de Joelma Couto sobre a situação das Centrais de triagem da Prefeitura de São Paulo que saiu no site da Caros Amigos. Triste realidade... E vota no Kassab!
Cooperativa Granja Julieta: Um drama sem fim
As centrais de triagem da prefeitura trabalham em condições ruins, o que gera problemas para os catadores e seus familiares assim como para o entorno das centrais, que exigem a retirada das mesmas
Por Joelma do Couto
Desde que sofreu um incêndio criminoso em dezembro de 2008, a Central de Coleta Seletiva Granja Julieta, na zona sul de São Paulo, está fechada. A cooperativa, que chegou a ter 80 catadores, não teve suas portas reabertas devido a entraves políticos. Em março, depois de uma reunião entre Limpurb, subprefeitura, catadores e apoiadores, noticiou-se que a cooperativa seria reaberta, coisa que não aconteceu.
Durante as reuniões que ocorrem às quarta-feiras na Casa Amarela, Praça Floriano Peixoto, com cooperados, Instituto GEA Ética e Meio Ambiente, representantes da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente e apoiadores da cooperativa, corria o boato que a cooperativa não abriria as portas devido a reclamações de moradores que não aprovam a existência da cooperativa no bairro fizeram junto a vereadores. Tal boato foi confirmado pelo então subprefeito, na época Geraldo Mantovani, que em reunião afirmou que recebia ofícios de vereadores solicitando, em nome de seus eleitores, a retirada da cooperativa do local. A alegação era que os catadores traziam problemas para o bairro, como ratos e baratas, além de falarem alto e não manterem o local de trabalho limpo.
Á época da reunião com o subprefeito, esteve presente o então responsável pela coleta seletiva da cidade de São Paulo, Wagner Taveira. Ele afirmou que a cooperativa era um problema para a Limpurb, que sua antiga presidente Márcia Abadia não participava das reuniões do órgão e impedia que seus cooperados também participassem. Afirmou também que a documentação da cooperativa estava irregular, e por isso não poderia enviar os caminhões que faziam a coleta para a cooperativa.
Porém, diante dos apelos dos cooperados e apoiadores, Wagner Taveira concordou em enviar os caminhões para que a coleta fosse retomada. Sua única exigência para que se reiniciasse o trabalho foi que fosse feito o roteiro completo dos 1200 pontos de coleta. Por parte do subprefeito Geraldo Mantovani, a exigência era que os catadores trabalhassem em silêncio, que o local ficasse sempre limpo para que ele não recebesse dezenas de ofícios de vereadores pedindo o fechamento da cooperativa.
No entanto, tudo não passou de mais uma reunião. O local não foi reformado, foi lacrado. Assim, um novo local foi cedido pela subprefeitura, mas até o momento os catadores não estão trabalhando. A Limpurb voltou atrás e disse que não poderia renovar o contrato enquanto os documentos estivessem irregulares e a subprefeitura de Santo Amaro também alegou não poder autorizar a reabertura pelo mesmo motivo.
Lá se foi a esperança dos catadores de voltar a trabalhar para poder saldar as dívidas e regularizar a documentação.
Um drama sem fim
O drama vivido pelos cooperados da Granja Julieta não é novo. Segundo relatório do Ministério do Trabalho e Emprego, Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (FUNDACENTRO) emitido no dia 18 de setembro de 2009, as condições de trabalho da cooperativa eram precárias. De acordo com o relatório, muito material era acumulado no mesmo local, e o espaço é mínimo para o armazenamento e movimentação dos materiais. A falta de contra-piso dificultava a limpeza do local e a passagem dos carrinhos. No período de chuvas, o chão ficava alagado e lamacento. As condições da cooperativa eram tão precárias que até mesmo materiais utilizados no escritório eram retirados da reciclagem. Não existe um programa da prefeitura que olhe para estas pessoas como trabalhadores com direitos a um trabalho digno.
As centrais de triagem da prefeitura trabalham em condições ruins, o que gera problemas para os catadores e seus familiares assim como para o entorno das centrais, que exigem a retirada das mesmas.
Se a cidade de São Paulo tivesse uma política de reciclagem e inclusão social séria e responsável muitos problemas poderiam ser evitados. A construção de galpões maiores, com condições de estocar material e áreas comuns destinadas aos catadores onde estes tivessem condições mínimas de higiene e descanso reduziria os problemas com o entorno. Um programa de educação ambiental que realmente esclarecesse a importância da reciclagem para o meio ambiente e para a sociedade traria, com certeza, melhores condições de vida não apenas para os catadores mas para toda a cidade.
Para Mara Sobral, atual presidente da cooperativa, “ser catador não é fácil”. Ela lembra que a falta de oportunidade de estudo leva à falta de oportunidade de trabalho. Mara conta que por conta da precariedade “há catadores com depressão. Eles se sentem inúteis”.
Apesar do site oficial da prefeitura dizer que São Paulo hoje conta com 17 centrais de triagem e nele estar constando a Central de Coleta Seletiva Ganja Julieta como em atividade, a realidade da “catação” em São Paulo passa longe de ser a perfeição que a secretaria de obras tenta passar. Não só a Central da Granja Julieta está sendo obrigada a fechar as portas, mas outras cooperativas estão sendo fechadas ou estão desistindo de abrir as portas devido à imensa dificuldade de se conveniar a LIMPURB.
Em matéria exibida no programa CQC,da TV Bandeirantes, em maio deste ano, a subprefeitura se comprometeu reabrir a cooperativa em melhores condições que as anteriores até o final de maio, mas infelizmente nada de efetivo foi feito até o momento.
Joelma do Couto é estudante de jornalismo