Fica meio difícil as vezes sair do lugar comum, afinal vocês já devem estar cansados de ler, ouvir e ver sobre o tema, mas como neste espaço muita coisa não presta mesmo, vamos lá!
Para mim Michael Jackson morreu há pelo menos 20 anos. O cara talentoso que conheci quando eu era moleque não era aquele freak que fazia músicas chatas e se envolvia com denúncias dos mais diversos tipos nos últimos anos, porém, convenhamos. O cara é um mito.
O primeiro disco que tive na minha vida foi Thriller e este album é daqueles que exatamente todas as músicas são fantásticas. Esta obra vendeu 100 milhões de cópias e influenciou gente por toda a parte do mundo, definitivamente, para o bem ou para o mal é um marco na música.
Lembro que na Jacksonmania aqui no Brasil nos 80, todo mundo curtia o cara, desde os "função" lá do Coimbra até os incensados da classe média. Todo mundo queria ser Michael, dançar igual, se vestir igual e calçar meias brancas com sapato preto. Tinha até concurso de quem imitava melhor o cara na TV. A ganhadora era uma mina (mina?) que morava lá no bairro, quando ela passava na minha rua ficavámos encantados dizendo: "Olha aquela mina é artista!"
A produção de Jackson revolucionou na questão do videoclip como o vemos hoje. Até 82 o que se via mais eram os artistas fazendo um playback à frente de um fundo bizarro ou gravações de apresentações em programas e shows. Quando Michael entra com verdadeiros curtas-metragens musicais como Billie Jean, Beat it e Thriller, a visão de artista musical muda para todo mundo.
Até a questão de sua morte não deixa de ser inovadora. A notícia correu antes pelo Twitter, pelo msn e pelos sites sensacionalistas, antes de chegar na midiazona tradicional. Não, não era para ser como todo mundo.
O fato é que não podemos subestimar a importancia de Michael Jackson na história da música, ele realmente é um marco do ponto de vista da produção musical, da video arte e do comportamento. Talvez ele tenha misturado o melhor de James Brown com Elvis, sei lá, de forma que ele colocou sua marca na música para sempre.
Particularmente os 2 primeiros albuns de Jackson marcam minha história de formação musical, além, de me suscitar minha já exposta veia saudosista quando lembro de todos os meus amigos de escola e de rua dançando ao som do cara.
João Marcelo Bôscoli diz em uma coluna especial para folha que Jackson foi a "morte mais lenta da história do showbizz", talvez seja isso mesmo, mesmo porque a sua trajetória nunca foi comum.
E abaixo fica minha homenagem, em um clipe sensacional do cara com a participação da guitarra de Ed Van Halen.
Optar por andar de transporte público pode aos olhos de uma parte das pessoas ser um ato de masoquismo extremo, ainda mais quando estamos em Sampa, entretanto, a boa vantagem é que a interação com os demais é mais digamos "intensa", um exemplo aconteceu comigo há alguns dias quando vinha para casa a bordo da espetacular linha 3462 - Vila Santana - Parque D. Pedro II.
Ouvia tranquilamente uma musiquinha no meu celular quando sou interpelado por uma mulher franzina do meu lado que me faz a seguinte pergunta teólogo-filosófica:
-Você acredita em Deus?
-Sim. Respondo eu
-E você acha que ele está ao teu lado ou está dentro de você?
Tenho convicções religiosas muito fundamentamentadas internamente, por isso, sem pestanejar respondi:
-Oras se sou um ser vivente, que é obra de Deus, Deus está dentro de mim e como Ele é, pela minha fé onipresente e oniciente, também está ao meu lado e em todo lugar.
A senhora fez cara feia e me questionou novamente: "Mas você já aceitou Jesus na sua vida?"
- Todas as vezes que faço o bem a alguém é sinal que estou aceitando Jesus, se sou ouvidos para alguém que precisa é por eles que Jesus escuta as pessoas, se digo palavras proveitosas para uma pessoa que necessita de algum conselho é por minha boca que Ele fala.
Insistente a mulher diz: "Mas na sua vida não falta um significado? Você não fica triste e angustiado?
- Sim. E acho isso completamente normal. As vezes por estar triste não significa que Deus não está comigo.
E assim o papo fluiu já entrando em questões bíblicas e históricas das quais não vale a pena escrever aqui, mas já chegando perto de casa a mulher me diz:
- Todos os dias quando ando de ônibus e encontro as pessoas tento puxar conversa para evangelizar e conversar sobre Deus...
Isso me chamou a atenção pois independente da linha teológica escolhida, aquela mulher se propunha a falar para desconhecidos sobre algo que faz falta para na vida das pessoas, se é a maneira certa ou errada de interpretar não cabe a mim julgar, porém, creio que o exercício de uma conversa sobre Deus e o significado da vida pode fazer muito bem para pessoas que estejam passando por um momento difícil.
No transporte público ao espiar as conversas ouvimos uma quantidade imensa de bobagens, sem contar os funks sujos tocados alto, para mim, esta desconhecida senhora é a resposta de sua pergunta inicial: Deus está dentro de nós e também ao nosso lado na figura do ser humano.
P.S.: Malditos sejam os líderes religiososs que através da mídia impõem um pensamento religioso de aprisionamento aos mais humildes!
P.S2: O vídeo abaixo não tem muito aver com o texto mas eu achei muito legal!
Sabem que depois que eu definitivamente aprendi a postar vídeos no blog surgiu a esperança de que algo realmente interessante pudesse ser visto neste espaço...rsrs
Os vídeos a seguir são dois curtas metragens de um jovem cineasta chamado Bruno Bralfperr, menino que praticamente vi nascer e reencontrei depois de um tempo todo empolgado em se lançar no desafio de buscar mostrar a verdade para as pessoas através da mentira do cinema.
Os filmes são extremamente sensíveis e seguem uma tendência de surpresa e inversão das coisas da vida.
Para mim o Bruno tem um futuro fantástico pela frente! Parabéns garoto!
Tenho uma revolta (mais uma!! rsrs) comigo e que me acompanha há tempos. O sistema de saúde do país é um lixo e ainda temos de aguentar a falsa idéia de que somos bem atendidos nos chamados planos de saúde, ou convênios ou ainda seguro saúde.
As empresas que prestam serviços de saúde são como o capeta: Você faz o pacto, se mata para cumprir a sua parte e no final ele tem sempre uma surpresa desagradável para lhe oferecer. Empresas de saúde são como qualquer outra empresa, estão ali para conseguir lucro e ponto final, o atendimento ao cliente fica em um segundo plano, o lance de "parceria" é e sempre será uma grande mentira!
Visitando os sites das operadoras de saúde, sempre encontramos lá uma aba chamada "Nossa missão", ler aquilo chega a ser ridículo, pois o papel (ou a tela) aceita tudo, do escrito à prática temos praticamente uns mil anos luz. Para mim, todo o convênio deveria descrever sua missão assim:
"Nossa missão é obter o maior lucro possível oferecendo serviços de atendimento à saude, para pessoas abaixo dos 50 anos e desde que o cliente não tenha doenças pré-existentes ou que não tenha no futuro complicações em seu quadro atual."
Esta gente se dá ao luxo de cobrar quase R$ 1.000,00 mensais para manter um convênio de pessoas idosas que na verdade são as que mais necessitam de atendimento e na outra ponta, pagam salários de fome a enfermeiras e atendentes, contratam médicos recém-formados e sem nenhuma para atender, afinal qual médico já com alguma experiência se presta a receber as remunerações ridículas oferecidas pelos convênios.
Saúde mesmo quem tem são os donos destas empresas. Quase sempre milionários e arrogantes pressionam suas equipes para buscarem cada vez mais reduções de custo em detrimento ao atendimento correto de seus pacientes. Enganam até as empresas que com a ilusão de oferecer um benefício ao seu funcionário acabam por entregar uma bonificação onde o trabalhador não tem a menor qualidade no seu atendimento. Marcar uma consulta é um inferno, ser atendido nos P.S é quase impossível, exames só se você realmente estiver morrendo e assim por diante...
Agora faça a conta comigo: Se como eu você tem um pai ou uma mãe acima dos 60 anos, pegue todo mês os tais R$ 500,00 (média) e abra uma poupança ou qualquer outra aplicação e deixe bem guardadinho, em paralelo obrigue-os a fazer exames médicos periódicos na rede pública mesmo e faça um trabalho preventivo. No final de 1 ano você terá cerca de R$ 6.500,00 para um possível tratamento. Já que é para não ser atendido, pelo menos com este valor você consegue pagar os tratamentos iniciais.
A situação da saúde para os mortais é tão complicada que nunca fez tanto sentido dizer "saúde" para a pessoa que espirra, afinal temos que torcer mesmo para não ficarmos doentes. Se correr do atendimento do governo morre sem atendimento, se ficar com o atendimento privado você é extorquido e ainda corre o risco de morrer e ficar sem grana.
"Num dia de sábado, Jesus estava passando por uns campos de trigo. Os discípulos iam abrindo caminho e arrancando as espigas. Então os fariseus perguntaram a Jesus: 'Vê: por que os teus discípulos estão fazendo o que não é permitido no sábado?' Jesus perguntou aos fariseus: ' Vocês nunca leram o que Davi e seus companheiros fizeram quando estavam passando necessidade e sentindo fome? Davi entrou na casa de Deus, e os deu também para os seus companheiros. No entanto, só os sacerdotes podem comer desses pães. ' E Jesus acrescentou: ' O sábado foi feito para servir o homem, e não o homem para servir ao sábado.' - Biblia Sagrada - Evangelho de Marcos; Cap. 2, versículos 23 - 27
Jesus era judeu e para o judaísmo trabalhar no sábado é um pecado absurdo, entretanto, a lição do fundador da igreja católica foi a de que as leis não podem se sobressair sobre a realidade humana. E foi exatamente ao contrário deste ensinamento a ação tomada pelas autoridades religiosas ao excomungar os médicos e a mãe da menina pernambucana que foi abusada sexualmente pelo padrasto e estava grávida de gêmeos.
Jesus nos coloca outra perspectiva ao afirmar que as leis devem servir ao povo e não o povo servir a lei, em outras palavras, a proteção do ser humano deve estar acima de qualquer regra criada pelo ser humano, inclusive o código canônico!
Existem tantas outras passagens bíblicas que escancaram o absurdo realizado pelos atuais "fariseus" da Igreja, não vou citar as outras tantas pois o texto ia ficar muito grande.
O que me pergunto sempre é qual seria a reação da cúpula da Igreja se o próprio Jesus Cristo vivesse hoje entre nós? Talvez ele também fosse excomungado...
Gostaria que o bispo Jose Carlos Sobrinho (autor da excomunhão) pudesse ler este texto de desabafo, como isso nunca vai acontecer e como sou um daqueles que apoia a decisão dos médicos, creio que um dia no Inferno eu possa dizer isto pessoalmente à ele.
Você não tem a impressão de que tem alguém ganhando muito dinheiro com esta crise?
Se o Estado é para ser mínimo, porque as empresas quebradas vão pedir dinheiro para o Estado?
Se a crise foi provocada por gente incompetente e mal-intencionada, por que ninguém foi atrás deste povo ainda?
Se o segredo do sucesso do capitalismo era a abertura de mercado, por que os países desenvolvidos estão criando barreiras para proteger seus mercados?
Uma crise deste tamanho não se cria em um dia então por quê os analistas de mercado não previram a crise já que eles são pagos só para fazer isso?
Por quê os bônus pagos aos executivos das empresas eram tão altos se as empresas necessitavam fazer caixa para enfrentar problemas futuros?
Uma outra boa. Onde foi parar todo o dinheiro que havia antes da crise, se ninguém tem mais dinheiro?
Uma brasileira. Se o empresariado nacional pressiona o governo para baixar os juros da SELIC (que por sinal ninguém segue), por que os bancos continuam com taxas tão altas e não baixam as deles?
Não era mais fácil o governo dos EUA bancar os devedores do subprime ao invés de colocar dinheiro nos bancos?
Se o Brasil está vendo que tá todo mundo se lascando, por que não toma algumas atitudes para nos proteger aqui?
As perguntas são muitas, mas com a atitude de quem realmente comanda a verdadeira jogatina que é o mercado capitalista, fica difícil acreditar que estamos em um mundo que tem somente os movimentos de translação e rotação.
"Para a pergunta sobre o que especificamente o motivara a reconhecer a culpa, respondeu francamente que fora o arrependimento sincero..." (Fiodor Dostoievski - Crime e Castigo)
O pequeno trecho acima é de um livro que considero uma obra-prima da literatura e conta a história de um jovem (Raskolnikov) que em um momento da vida de total privação comete um assassinato e passa a conviver com a perseguição de sua culpa.
Ouço muitas pessoas dizerem a seguinte frase-"Não me arrependo de nada de que fiz na vida!"-Andei pensando sobre o quão esta frase é estúpida e porque não prepotente. Ora, se o ser humano por conceito é um ser "imperfeito", dizer que não se arrepende de nada na vida é bradar aos quatro ventos que você nunca errou. Será mesmo?
A grande dificuldade do ser humano ( e evidentemente apesar de não parecer humano em todos os sentidos incluo-me nesta crítica) é a de reconhecer os seus próprios erros e consequentemente avaliar quais as motivações que o levaram ao lapso. Entretanto, quando reconhece-se a culpa o ser humano passa para um processo que vai desde uma tentativa desesperada em reparar a cagada até a total depressão motivada pelo erro.
Talvez o grande castigo da pessoa que comete algum erro seja a culpa e o remorso que o acompanha como uma sombra durante todos os dias, livrar-se disto é como tentar remover uma tatuagem com perfeição ou costurar um furo na camiseta. Mesmo que obtenha o perdão, seja o seu próprio seja da vítima que sofreu o mal, a culpa voltará de tempos em tempos para visitá-lo e virá sempre com seu punhal afiado onde na ponta lê-se "E se?".
A pergunta do hipotético bate várias vezes após o erro e é difícil não se incomodar com ela. Evidentemente na sociedade onde o individualismo impera, o reconhecimento da culpa própria pode ficar em segundo plano, afinal, na era do "Cada um com os seus problemas" fazer uma reflexão mais profunda sobre os malefícios que você pode ter cometido para alguém ou para si mesmo é um exercício pouco praticado.
Alguns dirão que é uma estupidez ficar remoendo coisas do passado e sofrer com o que já não tem mais jeito, entretanto, concordo com esta afirmação mas pondero que o caráter formado de cada um de nós mais cedo ou mais tarde nos cobrará a respeito dos erros que cometemos. As sociedades, as comunidades e as pessoas possuem diversos tipos de condutas morais, que de uma forma ou de outra são responsáveis pela imputação de culpa. Se a pessoa tem consciência de que está fazendo algo errado, só vai se arrepender em sua plenitude quando o mal se apresentar para todos.
Apesar de todos os esforços, sou uma pessoa que durante minha existência cometeu muitos erros, comigo e com os outros, nos erros que cometi pedi desculpas, alguns perdoaram-me outros ainda tem mágoa, mas posso garantir que independente do perdão, minhas culpas são sentenças que carregarei para sempre. Minha luta é apenas para que minha "ficha-criminal-pessoal" não aumente.
Imagens de Dom Bosco e Santa Luzia na Igreja Matriz de Paranapiacaba
No dia 15 de dezembro de 2007 estava eu jogado em uma cama em um hotel aqui em Sampa e, como diz minha amiga Carol Pelosi, "totalmente possuído pelo alcool" depois da festa de casamento de um outro amigon meu o Ednaldo. Após um belo banho comecei a fazer uma reflexão sobre tudo o que tinha se passado comigo e com o mundo naquele ano e desejei apenas que 2008 fosse diferente para melhor em algumas coisas e que se houvessem coisas ruins para mim e para o mundo, que elas fossem encaradas da maneira mais sóbria possível de forma a reduzir os danos e os sofrimentos ocasionados pelas dificuldades.
2008 foi um ano como todos os outros, foi um ano , de realizações e de frustrações, mas foi um ano que foi marcado principalmente pelo aspecto da compreensão e do aprendizado. Para mim pessoalmente este período transformou-se em uma verdadeira sala de aula a céu aberto na qual pude tomar mais consciência da minha relação com o mundo. O mundo por outro lado, e quando digo mundo refiro-me às pessoas que conheço, além de tudo e todos que de alguma forma passaram pela minha retina, seja pessoalmente seja através de informação, também passou por um momento forte de aprendizado no qual transformações fortes aconteceram e que trouxeram em maior ou menor grau mudanças significativas na vida.
Alguns vão argumentar que todos os anos passamos por aprendizados, e contra-argumento dizendo realemente está correto mas que em alguns momentos de nossa história conseguimos assimilar melhor o caminho que estamos traçando do que em outros períodos da história. A dimensão é tão grande que neste ano eu aprendi como é cuidar de uma casa, pagar contas e ter responsabilidades e o mercado capitalista aprendeu que é impossível viver em países com estrutura de Estado mínima, e neste oceano que separa o administrar uma casa com administrar uma crise mundial, ainda passam tantos outros aprendizados de pessoas comuns, de artistas, de políticos e jogadores de futebol.
Para mim 2008 foi diferente somente por conta disto, e ai me cai a questão dos votos de "Feliz ano-novo" que desejamos uns aos outros no final de cada ano. Ora, seja como for, o ano que chega será feliz e triste de alguma forma, todos os anos são assim e não há como evitar o contrário, como já disse outra vez, o tempo é medida física, mas a parábola entre felicidade e tristeza é quase como uma constante na vida, a medida que nos determina se seremos felizes ou tristes é ligada simplesmente a nossa compreensão de mundo e em consequência nossas decisões a respeito de quais caminhos seguiremos.
Muitos sabem que como cristão tenho uma devoção a dois santos, um chamado São João Bosco e outra é Santa Luzia, talvez seja conhecidencia mas o primeiro é muito ligado a sonhos e a segunda é a padroeira da visão, e aqui não se trata somente da visão sentido físico, mas também da forma como vemos nossas vidas. Por que citei os dois? Simplesmente porque Dom Bosco em um sonho teve um diálogo com Maria na qual ela disse a seguinte frase "Ao seu tempo, tudo compreenderás...". Já Santa Luzia foi martir porque acreditava em um ideal e é uma padroeira que é ligada a um sentido importante das pessoas, a visão. Seja com a visão física você vê tudo de bom e ruim que existe no mundo para que com a visão de ideologia você possa colocar objetivos para melhorar o que é bom e resolver o que é ruim.
Com base neste monte de viagem, o que eu desejo à você em 2009? Eu desejo para você aquilo que você deseja. Busque observar muito bem os caminhos a percorrer e se algo der errado, não desanime pois "Ao seu tempo, tudo compreenderás!"
P.S.: No dia 15 de dezembro de 2007, acabei compreendendo tudo que estava acontecendo comigo e pedi somente que Deus me concedesse sabedoria para ver novos caminhos. Estou na luta e sei que o caminho é bom!
Faz tempo que não escrevo no blog, pelas minhas contas creio que mais de um 1 mês, aliás 2008 foi um ano de poucos textos, muitas vezes por preguiça, outras por falta de tempo, afinal, morar sozinho nos impõe compromissos que acabam por rarear nosso tempo.
Li hoje uma entrevista do ex-prefeito de Bogotá no qual ele diz que a única solução para o trânsito é a desestimulação do uso de veículos pela classe média para cima, ou seja, não basta apenas a construção e ampliação dos meios de transporte público, mas tambem que as pessoas se convençam de que é melhor ir andar de metrô e ônibus do que utilizar seu veículo. A colocação me pareceu pertinente, pois o uso de um veículo, seja do mais podre ao mais sofisticado ainda é na mente dos brasileiros sinal de status social elevado, mesmo que você esteja cheio de dívidas para pagar para manter este bem. Conheço muitas poucas pessoas que não se importam em andar a pé, de trem ou de metrô, evidentemente, há de se considerar ainda o aspecto das condições do transporte público, e é ai que chegamos a questão estúpida deste texto: Mesmo que se por hipótese sejam realizadas melhorias no transporte público municipal de forma a haver uma maior abrangência, as pessoas estariam dispostas a deixar seus veículos em casa? Eu acho que não.
Na visão da pessoas que se utilizam de carros, o transporte público não carrega executivos (as), transporta apenas a "força de trabalho operacional", no transporte público existe violência e gente feia, e de quebra rebaixa a visão social daquele indivíduo que opta por se locomover por este meio.
Tem se visto nos últimos anos a busca da classe média por seu total isolamento da cidade real, este movimento tem se dado principalmente pelo instinto de se proteger do perigo do mundo de verdade o que cria espaços que parecem verdadeiros oasís dentro do espaço urbano.
O ex-prefeito de Bogotá lembra em sua entrevista que existem pessoas que vivem dentro de condomínios e que saem do estacionamento do prédio para ir direto ao estacionamento do edifício onde trabalha para depois deixar seu carro na academia, sair ir até o estacionamento do Shopping e voltar tranquilo para colocar seu carro de volta no estacionamento do prédio, ou seja, sem nenhum contato com os equipamentos urbanos públicos. Isto seria bom? Segundo ele a medida de uma cidade humana é a capacidade que existe de formar a interação entre ricos e pobres dentro de um mesmo espaço.
Quebrar este paradigma é possível desde que haja a criação de uma consciência de interação, onde as pessoas não se achem rebaixadas ou desestimuladas em conviver entre si. Se você acha isto impossível eu posso lhe dizer que não e dou o exemplo clássico da Virada Cultural em São Paulo. Neste dia as pessoas de toda a cidade saem para as ruas para interagir com o espaço urbano e principalmente com outras pessoas, não se vê a divisão classica entre ricos e pobres, apesar de que inevitavelmente isto possa acontecer de alguma forma em algum momento.
Para mim a solução para o transporte na cidade é a revolução no modo de pensar e de viver dentro dela, é uma reforma urbana de fato, não somente com obras (necessárias) de ampliação do transporte, mas também estimulando a descentralização do trabalho e a oferta de meios para se quebrar o muro da divisão social. P.S.: Enrique Pelañosa (Ex-prefeito de Bogota) foi responsável por esta revolução em uma cidade dominada pela violência e por um transito caótico. Se foi possível lá por que não cá?
Confesso que ando intolerante diante da crueldade humana em relação as suas crianças. O indiano Rajesh Jala foi até o maior cremátório de seu país e documentou a vida de crianças que trabalham neste lugar. O resultado é um relato que deixa o espectador orbitando entre a revolta e a compaixão.
Vivendo do ofício de queimar cadáveres em grandes fogueiras e de furtos de mortalhas, crianças entre 7 e 12 anos tem decepados suas perspectivas de vida e seus sonhos atuando em um ambiente insalubre. Em algum momento você se lembra de um dos maravilhosos países emergentes que compõem o BRIC. Muito bom!
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO
diretor Errol Morris; roteiro Errol Morris; fotografia Robert Chappell, Robert Richardson
118 minutos; color, 35 mm
Errol Morris mostra em seu documentário os relatos dos soldados e responsáveis pela prisão em Abu Ghraib. É muito interessante porque o filme tem um formato de isenção e não forma no espectador uma opinião pré-determinada ou tomada de partido, esta função cabe totalmente a quem está assistindo. Eu já tenho a minha e ela é bem coerente com a minha opinião em relação ao que se tornou os EUA.
O filme estreará neste final de semana em Sampa. Quem se interessa não pode perder.
Eu sempre achei muito difícil fazer um filme onde o documentário mescla-se com uma certa atuação ficcional de seus protagonistas, e Jia Zhang-ke faz isso muito bem em seu "24 City", talvez seja por isso que a sessão no Cinesesc estava abarrotada!
24 City nos traz um pouco das transformações que a China vem sofrendo, contando a história de uma uma antiga fábrica de peças de aviação que será substituida por um grande condomínio de luxo em um futuro muito próximo. Os trabalhadores que lá trabalharam contam suas trajetórias dentro de uma estrutura fabril enorme que a "modernização" chinesa afetará para sempre! Muito bom!
E ai vem Amos Gitai e dá uma aula de cinema. Sensacional! Com lindos movimentos de câmera (A primeira sequência é de matar!) o filme trata de um assunto sempre presente nos filmes de Gitai que é o judaismo e seu destino após a 2ª Guerra Mundial, contando a história do católico Victor que está determinado a entender o passado de sua família judia que foi perseguida pelos nazistas. No fundo da história pode-se compreender um pouco melhor sobre as omissões e sofrimentos pelos quais passou o povo judeu! Excelente!!!
TERRA VERMELHA
diretor Marco Bechis ; roteiro Marco Bechis, Luiz Bolognesi; fotografia Hélcio “Alemão” Nagamine
108 minutos; color, 35mm
Eu classifico o filme de Marco Bechis como militante. Em um momento onde o Brasil discute a demarcação de terras, o desmatamento e a guerra entre o agrobusines e os ambientalistas, ele com muita competência mostra um trabalho de pesquisa muito bom para formatar um roteiro de ficção que trata da questão dos indígenas e que navega desde a influência da sociedade de consumo, passando pelo suicídio e a luta quase que inglória para manter vivos os costumes de um povo. O filme vai mais além pois o diretor utilizou como atores indios habitantes da região do Mato Grosso, local onde se passa o filme. Evidentemente em termos de interpretação existe um limite, mas o significado e o resultado são muito bons. Bem legal!
Ao final da sessão fui até Branco Melo e Oscar Rodrigues Alves e disse à eles que o filme me fez chorar. E de verdade! Este documentário que conta a história dos Titãs por muitas vezes coincide-se com a história de trintões como eu. Estão lá imagens dos shows que fui (Por exemplo o lançamento do albúm "Domingo" no Vale do Anhagabaú), dos programas que assisti e de muitas e muitas músicas que cantei com meus amigos na rua ou trancado no quarto de casa. São imagens bem particulares da banda, mas que também apresentam um pouco do que foram as últimas décadas. Ao final você chega a uma conclusão e um questionamento: Minha geração foi foda! e Por quê as bandas não são mais como os Titãs? Quem nasceu entre72 e 82 não pode perder!
VICKY CRISTINA BARCELONA
diretor Woody Allen; roteiro Woody Allen; fotografia Javier Aguirresarobe
96 minutos; color, 35mm
Mestre Mr. Allen faz um correto filme ambientado na Espanha contando uma comédia romantica fora dos padrões eu diria "normais". Talvez alguns classifiquem como putaria, mas como sou suspeito na análise dos filmes de Woody Allen fica meio complicado.
Vick e Cristina são amigas inseparáveis mas têm visões diferentes do amor. Em uma viagem a Barcelona o destino das duas muda completamente com o surgimento do problemático Juan. O peso grande da busca para entender a questão do "Quem eu realmente sou e desejo e quem eu gostaria de ser ou ter sido e desejado?" é o ponto fundamental do filme. Excelente!!!!
Acabou!
E assim chega ao fim a 32ª Mostra de Cinema de São Paulo, a 5ª edição da qual participamos e como disse a muitos. "Este é o meu Carnaval!"
No final da noite o filme "O estranho em mim" de Emily Atef foi eleito o melhor filme de ficção pelo jurí e "Crianças da Pira" de Rajesh S. Sala como melhor documentário. Mais informações no www.mostra.org
Dos filmes que assistimos, seguem as datas previstas de estréia no circuito comercial:
31/10 - Procedimento Operacional Padrão
07/11 - O silêncio de Lorna / Terra Vermelha
14/11 - Vicky Cristina Barcelona
21/11 - A Duquesa / Feliz Natal
28/11 - Mil Anos de Orações / Queime depois de ler / O roqueiro
Atrasadíssimo com os coments dos filmes mas vamos lá sem perder tempo!
Filmes exibidos entre 25/10 e 27/10
MOSCOU, BELGICA
diretor Christophe van Rompaey ; roteiro Jean-Claude van Rijckeghem, Pat van Beirs; fotografia Ruben Impens
102 minutos; color, 35mm
Trata-se de uma comédia romantica bem legal que nos coloca diante de alguns dilemas da sociedade conservadora. Uma mulher simples e já na casa dos 40 apaixona-se por um homem 11 anos mais novo. Ele, caminhoneiro e ex-alcoolatra, ela recem-separada e com 3 filhos, sendo a mais velha uma adolescente que flerta com o lesbianismo. O filme nos mostra que para poder caminhar na vida muitas vezes é preciso se desvenciliar de problemas do passado. Filme gostoso de se ver.
HORAS SUSPENSAS
diretor Peter Marcias ; roteiro Peter Marcias, Annalisa Aprile; fotografia Marco Onorato
90 minutos; color e P&B, 35mm
Horas suspensas é um filme que realmente me deixou suspenso. Confesso que não entendi muita coisa da proposta do filme, mas enfim, tecnicamente falando ele tem boas imagens. A sinopse no catálogo da Mostra diz que trata-se da história de 5 pessoas a frente de uma guerra iminente e apresenta as reações diante desta situação dramática. Realmente estes elementos estão presentes no filme, mas para mim não ficou muito claro. Sei lá!
Eu diria que este filme é o "O ano em que meus pais sairam de férias" argentino, porém, com uma carga um pouco maior de dramaticidade e porque não de ficção-cientifica, afinal, o personagem protagonista possui poderes telecinéticos. Mas tudo está lá: A ditadura militar, os pais militantes, o exilío, a seleção argentina. A semelhança de assunto entre os dois filmes não chega a ser um demérito para "As lágrimas de minha mãe...", pelo contrário, o filme é bem corretinho e gostoso de assistir.
MIL ANOS DE ORAÇÕES
diretor Wayne Wang; roteiro Yiyun Li; fotografia Patrick Lindenmaier
83 minutos; color, 35mm
Mil anos de orações é um drama que nos coloca diante de duas situações. Uma de caráter mais amplo que é a capacidade (ou não) das pessoas adaptarem-se a novas culturas e costumes. A segunda questão trata da relação conflituosa das gerações de pais e filhos em uma época da vida onde os papéis de protetor e protegido tendem a se inverter e até que ponto as duas partes aceitam a sua nova condição. O filme conta a história da viagem do velho Sr. Chi para a América onde mora sua filha Yilan para passar umas férias, no entanto, ele encontrará lá muito mais questões a serem resolvidas do que um simples passeio. Bem legal!
Muito mais pelas belas imagens do que pelo roteiro, "Oceano" pode ser considerado um filme regular. Mikhail Kosyrev-Nesterov conta a história de um pescador de uma vila longe de Havana que vai aventurar-se na cidade grande depois de uma decepção amorosa. Lá Joel ( o jovem pescador ) envolve-se com todo o tipo de novidade oferecida pela capital e torna-se um boxeador de grande potencial, entretanto, seus objetivos fogem do foco quando ele reencontra sua amada, que por sinal está casada com outro. Achei que o filme ficou muito longo para pouca história, o que o torna um tanto cansativo.
PATTI SMITH: SONHO DE VIDA
diretor Steven Sebring ; roteiro Steven Sebring; fotografia Phillip Hunt, Steven Sebring
108 minutos; color e P&B, digital
Patti Smith é por si só muito, mas muito Underground. Sua música é crua e pautada na poesia concreta e direta. O filme traça a carreira de Patti, seus sonhos, seus objetivos e nos traz principalmente a face de uma mulher guerreira, ativista e lutadora. Uma pessoa que sempre esteve preocupada em (Lá vem o clichê adolescente, mas é isto mesmo) "ser ela mesma". Vale muito pelo discurso de Patti contra George W. Bush, o qual eu diria que é um dos maiores desabafos de um americano para seu presidente do qual eu tenho notícia. Muito bom!
O ROQUEIRO
diretor Peter Cattaneo ; roteiro Maya Forbes, Wally Wolodarsky; fotografia Anthony B. Richmond
102 minutos; color, 35mm
Se tudo der certo, daqui a algum tempo vamos assistir "O Roqueiro" em alguma tarde passando na "Temperatura máxima", "Tela de Sucessos" ou "Sessão da Tarde", o que não quer dizer que o filme seja um lixo, afinal muitos sabem que sou muito afeito ao que eu chamo de "Cinema Popcorn". O filme conta a história de um baterista frustado que foi expulso de uma banda nos anos 80 e reencontra sua grande oportunidade 20 anos depois na banda do sobrinho. Qual o questionamento que o filme nos deixa? Pense consigo que coisa não convencional você gostaria de fazer ou ser se não estivesse trabalhando no mundo real? Legalzinho o filme!
UM HOMEM BOM
diretor Vicente Amorim; roteiro John Wrathall; fotografia Andrew Dunn
96 minutos; color, 35mm
"Um homem bom" trata da cooptação de alguns cidadãos alemães em aderir a proposta do Nazismo, mesmo que ela parecesse um absurdo às pessoas. John é um professor de Universidade que escreve um livro com um tema sobre eutanásia e que cai no gosto da direção do partido Nazista. Ele é convidado a filiar-se ao partido e segue uma carreira bem sucedida dentro das fileiras do nazismo. A certa altura perseguição aos judeus atinge a um de seus melhores amigos, instante este em que John começa a se questionar sobre que atitude tomar diante de sua carreira vitoriosa e a vida de seu amigo. Legal!
Entramos na última semana da Mostra e vimos muita coisa boa, algumas mais outras menos. A maratona tem sido bastante grande, mas como sempre vale a pena. Vamos lá aos comentários dos filmes do dia 21/10 ao dia 24/10
SOB CONTROLE
diretor Jennifer Lynch ;roteiro Jennifer Lynch, Kent Harper; fotografia Peter Wunstorf
98 minutos; color, digital
O filme da filha de Mestre David Lynch chega a beira da insanidade! Não tem nada a ver com as viagens do pai, mas é uma trama policial muito forte onde a verdade só esta (pra variar) com uma bela criança. Mentiras e omissões fazem parte de uma investigação de assassinatos em série que estão sendo investigados por policiais do FBI. Para efeito de comparação é mais ou menos como "Seven". O final é uma virada de jogo total! Muito bom!
NINHO VAZIO
diretor Daniel Burman ; roteiro Daniel Burman; fotografia Hugo Colace
91 minutos; color, 35mm
Ninho Vazio conta a história de um romancista que se vê diante de um dilema do qual muitos de nós passaremos ou passamos. O que fazer depois da aposentadoria e da saída dos filhos de casa? A vida parece ter algum sentido? Que caminhos devemos seguir? Há vida inteligente e produtiva após anos de trabalho e dedicação aos filhos? Muitas destas perguntas são feitas aos personagens e em consequência a cada espectador. Boa Sacada de Daniel Burman
A película conta a história de uma modelo decadente que não se conforma com a sua atual situação. O filme é uma ferramenta que apresenta toda a futilidade, sujeira e desprezo que o maravilhoso "World Fashion" oferece. Ainda mais questiona o preço que as pessoas pagam para parecer bem diante de uma sociedade que inverteu seus valores fundamentais, onde a aparência é mais importante do que a decência. Legal!
Evidentemente tirando os filmes de Karatê e Samurais o cinema japonês tem um estilo muito filosófico. O filme conta a história de uma enfermeira consternada pela morte do filho e que trabalha em um asilo onde toma conta especialmente de um senhor já com problemas de demência senil mas que guarda consigo o grande sonho de prestar a ultima homenagem a sua amada e falecida esposa. A relação entre enfermeira e enfermo adquire uma cumplicidade muito grande até chegar ao ponto de uma "troca de papéis". Filme com belas imagens e com um fator emocional muito forte. Legal!
A DUQUESA
diretor Saul Dibb; roteiro Jeffrey Hatcher, Anders Thomas Jensen, Saul Dibb; fotografia Gyula Pados
110 minutos; color, 35mm
Baseado em uma história real o filme conta a história de uma jovem moça que torna-se Duquesa no século XVIII e que luta para romper com todo o falso moralismo da Inglaterra à época. Amarrada por um casamento arranjado com um dos homens mais ricos do país, a mulher engaja-se politicamente defendendo idéias liberais e ainda por cima corre atrás do seu grande amor. Interessante!
LA BUENA VIDA
diretor Andrés Wood ; roteiro Mamoun Hassan; fotografia Miguel Littin
108 minutos ; color, 35mm
O filme é bem cotado pois o diretor dirigiu o maravilhoso "Machuca". Conta a história de personagens que se entrecruzam na cidade de Santiago. Cada um com uma angústia e na busca por resolver as questões que lhe afligem, seja por conta de uma gravidez indesejada da filha da terapeuta sexual, ou o cabeleleiro malandor que quer comprar um carro, ou o jovem sonhador que luta por uma vaga na Filarmônica da cidade. Fazer filme com histórias paralelas não me parece muito simples e este cumpre bem o seu papel. Bom!
THE LOVEBIRDS
diretor Bruno de Almeida; roteiro Bruno de Almeida, Johnny Frey; fotografia André Szankowski, Edmundo Díaz
83 minutos; P&B, 35 mm
Como eu disse acima, fazer filmes com histórias paralelas não é muito simples e "The Lovebirds" infelizmente cumpre isso muito mal. As histórias são muito fragmentadas e não têm um fim apropriado para cada uma. O cineasta em crise desaparece, a grávida vai pro hospital, o taxista psicopata sai sem rumo e o estrangeiro perseguidor volta para o seu país. E?
LA NOCHE QUE DEJO DE LLOVER
diretor Alfonso Zarauza; roteiro Alfonso Zarauza; fotografia Antonio Gonzalez Mendez
91 minutos; color, 35mm
Spleen é um cara extremamente de boa. Não quer saber de nada, nunca saiu de sua cidade, tem 33 anos e vive com sua mãe (seu pai é morto) e só namorou uma vez na vida. Até aquele instante não tinha conhecido a paixão e aventuras fora de sua rotina de pretenso poeta. Até que conhece uma misteriosa moça com a qual passa uma noite cheia de surpresas e coisas novas. A pergunta que fica é: O quanto você conhece daquilo que você não fez ou não sabe que fez? O filme é "fofinho" rsrsrs
Eu como cinéfilo tenho uma vergonha: Nunca assisti a nenhum filme de Andrei Tarkovsky. Sei que o que falam do cara é que é um gênio do cinema e tals. Este desejo por conhecer Tarkovsky foi a motivação para assistir ao documentário que conta um pouco da história do cineasta através de entrevistas com gente que conviveu e o conheceu durante o seu período criativo. Resultado: Já estou juntando uma grana para comprar os DVD´s do cara que proferiu a seguinte frase em vida; " A morte não existe!"
Assim como todo ano tem festa de final de ano da firma, aqui no Questões Estúpidas há os comentários dos filmes que assistimos na Mostra de Cinema de São Paulo.
Nestes primeiros dias da 32ª edição do evento pudemos conferir algumas boas revelações e possíveis sucessos futuros. Iniciamos nossa jornada na última sexta feira. Ai vão os coments!
Asa é um cara muito humilde e esforçado, afinal, ele tem um grande sonho: Ser Pastor de Ovelhas. Mas para conseguir realizar o seu objetivo ele tem de obrigatoriamente conquistar o amor da bela Tulpan. O filme nos transmite a idéia de que qualquer que seja o seu sonho, grandioso ou singelo, você deve sempre correr atrás sem se importar muito com as suas limitações e que as consequências dos seus sonhos podem ser o surgimento de outros sonhos. Bem legal o filme!
Os irmãos Dardenne retratam neste filme a saga de muitos imigrantes que tentam a vida na "Europa que vale a pena" e que não medem consequências para conseguir um visto permanente. Lorna é uma garota Albanesa que tem um casamento arranjado para conseguir a cidadania belga e poder montar uma lanchonete, só que as coisas começam a se complicar quando Lorna começa a questionar os meios para conseguir seu objetivo. Filme lindo!
O filme retrata uma viagem realizada pelo diretor que saiu do Rio de Janeiro e foi de carro até o Peru e a Bolívia. Um documentário interessante que nos coloca como é a vida nos dois países. Fica claro no filme a busca constante pela verdadeira identidade Latino-americana com o resgate das raízes indígenas e uma explanação livre de qualquer julgamento midiático sobre as transformações políticas da região nos últimos anos. Vale a pena!
Em um formato bem interessante que mescla a veia documental com a ficção, Tedium mostra como é a vida dos gays em um país ultraconservador como o Irã, retratando 5 personagens com histórias diferentes que se entrecruzam e percolam para um mesmo fim: Intolerância, revolta familiar, preconceito. Se você é gay e acha que é complicado no Brasil, veja no Irã como a coisa funciona! Ótimo filme!
Sem medo de ser feliz e ousando, Selton Mello faz seu primeiro filme com muitos e muitos planos fechados o que deixa o espectador no bom sentido angustiado com uma festa de Natal convencional, mas que como muitas outras esconde mágoas, alegrias falsas e problemas familiares. Algumas pessoas podem se incomodar com a estética (Não foi o meu caso), mas o roteiro traz consigo questionamentos de um cotidiano que não é muito distante de nós, onde crianças aprendem a maior parte das coisas na internet enquanto adultos tentam buscar apagar suas mágoas através de aparências. Vale a pena ver!
QUEIME DEPOIS DE LER
diretor Joel Coen, Ethan Coen ; roteiro Joel Coen, Ethan Coen; fotografia Emmanuel Lubezki; montagem Joel Coen, Ethan Coen
96 minutos, color, 35mm
Aqueles e aquelas que me conhecem vão entender... PUTA QUE O PARIU! Que filme sensacional! Os irmãos Coen dão um soco na cara da insensatez-medíocre-mesquinha da sociedade americana com um humor maravilhosamente sarcástico. Alguns dados ditos "sigilosos" vão parar nas mãos de pessoas sem noção que se conectam com um monte de outras pessoas sem noção, que se juntam com outro monte de sem noção e fazem de tudo isso um resultado muito bom! Depois de "Onde os fracos não tem vez" os Coen fazem outro excelente filme. Vou ver de novo!
O filme de Taylan Barman conta a história de uma familia desestruturada e busca explicar ao espectador entrecruzando um dia dos personagens quais os motivos que levaram a esta situação. Qual será o final para um pai desempregado e frustrado, uma mãe ausente e um filho problemático? Quais são seus sentimentos na relação entre uns e o outros? Assistir ao filme pode de alguma forma remeter a nós o questionamento de como é possível jovens se autodestruirem atualmente, seja aqui no Brasil seja na evoluida sociedade francesa.
VINGANÇA
diretor Paulo Pons; roteiro Paulo Pons; fotografia Thiago Lima Silva; montagem Bernardo Jucá Pax Filmes
84 minutos, color, digital
Presente na sessão, o diretor Paulo Pons colocou seu filme de maneira bem humilde. Sem nenhuma comparação (PELO AMOR DE DEUS!), parece-me que a proposta é fazer um "Novo cinema novo", com filmes de baixo orçamento e com nova proposta. Rodado todo em digital, segundo o próprio diretor o filme nem passou para película. O elenco é formado predominantemente por atores novos, o que lhe confere realmente uma idéia de novidade. O roteiro fala da história de um jovem gaúcho que vai para o Rio com um propósito após um grave acontecimento na vida de sua noiva. Bem interessante. Se sair no circuito comercial vale a pena ver.
Bom gente, ainda tem mais 15 dias para eu colocar minhas impressões sobre filmes por aqui. Aguardem e comentem!
A violência e a injustiça não fazem parte apenas do dia-a-dia das grandes metrópoles, fazem sim parte de um mundo doente onde a lei do mais forte impera sobre todos os aspectos. Não se pede aos seres humanos uma passividade em relação as coisas que acontecem, o que se busca são atitudes firmes na busca por um mundo melhor.
Estou lendo um livro de 1977, que traz em suas últimas páginas alguns pensamentos sobre a prática da não-violência. A mudança tem de vir em cada um de nós, quem sabe estas práticas não sejam um caminho. Não podemos encarar palavras somente como discurso, mas como instrumentos para a nossa melhoria pessoal e por consequência da sociedade como um todo.
Em minha opinião, os conceitos valem tanto em relação a nossa visão aos bandidos violentos como aos bandidos chapa-branca, tentei adaptá-las ao nosso cenário atual, onde vemos o crime organizado cada vez mais organizado, banqueiros que buscam seus lucros de forma ilícita e de políticos cara-de-pau.
Os conceitos falam muito da "firmeza-permanente" que é uma atitude de inconformismo diante de uma agressão violenta, seja ela física ou moral. O não-violento não foge, mas enfrenta a agressão de forma diferente. Quando Jesus recebeu o tapa no rosto ele nos disse para virar "a outra face" e não para chorando, lembro de uma outra história onde um homem ao andar na rua esbarrou com outro pedestre e recebeu o xingamento "Idiota", a resposta foi um gentil levantar de chapéu e a resposta "Prazer, meu nome é Jonh". É na criatividade que se desarma o agressor.
Ai vão os pensamentos:
1 - "Para se conseguir uma sociedade justa, devem existir meios melhores do que intrigas, complôs, golpes de Estado, torturas, assassínios e terrorismo. Para se atingir a justiça e a paz, é preciso encontrar meios justos e pacíficos. Sendo mais coerentes com fins desejados a longo prazo, esses meios devem ser mais simples e eficazes."
2 - "A Firmeza-permanente não é de forma alguma, uma submissão covarde aos opressores. Ao contrário, ela se opõe aos violentos e tiranos com todas as forças. O humanista se esforça continuamente para superar o mal pelo bem, a mentira pela verdade, o ódio pelo amor."
3 - "O violento tenta provocar o humanista para que ele abandone sua arma principal: O uso de uma firmeza-permanente."
4 - "Em situação de fraqueza, uma "firmeza-permanente" é mais eficaz que a violência"
5 - "Quem vence o opressor pela violência alcança uma vitória apenas parcial, pois ficaram as raízes da injustiça dentro do injusto que foi derrotao e dentro do vencedor que se libertou da opressão, pois ambos usaram da violência e guardaram dentro deles o mal que combatem."
6 - "A firmeza-permanente não se restringe à legalidade, porque busca sempre a verdade e a justiça."
7 - "A violência nasce do impulso de uma agressividade, que não foi ainda canalizada. Sendo irracional, ela leva ao ódio. A ação pela justiça tenta ser o resultado do predomínio da razão sobre o instinto, alimentado pela certeza de que todos somos irmãos."
8 - "A violência é frequentemente impaciente. A firmeza-permanente se esforça para esperar e respeita as etapas. Os conservadores sabem contemporizar ou mudar quando lhes convém.";
9 - " O importante não é ser valente de vez em quando, mas firme o tempo todo."